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quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Belchior (Antônio Carlos Belchior)

Rapaz latino americano...

Antônio Carlos Belchior, mais conhecido por Belchior, nasceu em Sobral, no Ceará aos 26 de outubro de 1946 e veio a falecer em Santa Cruz do Sul aos 30 de abril de 2017. Belchior foi um cantor, compositor, músico, arranjador, produtor, artista plástico e professor brasileiro. Um dos membros do chamado Pessoal do Ceará, que inclui ainda figuras como Raymundo Fagner, Amelinha e Ednardo, entre outros. Belchior foi um dos primeiros cantores de MPB do NE brasileiro a fazer sucesso pela América Latina e, inclusive, nos USA. Isso tudo ainda na primeira metade dos anos 70.

Belchior era muito bem humorado e sempre que podia, fazia brincadeiras consigo mesmo. Uma famosa foi quando passou a assinar os nomes de seus pais e se tornou Antônio Carlos Belchior Fontenelle Fernandes (risos)... ...o cearense dizia que "era o maior nome da música popular brasileira".

Um feito incrível de Antônio não é e nem foi brincadeira:
Alucinação, seu álbum de 1976, produzido pelo grande Mazzola, é considerado pela crítica especializada, como o disco mais revolucionário da história da MPB e para muitos, mas muitos mesmo (beirando a unanimidade), Alucinação é taxado como melhor álbum brasileiro e/ou mais importante de todos os tempos. Não à toa, em 2012, a Revista Rolling Stone Brasil elegeu Belchior para vários quesitos premiáveis, mas o mais bacana é tê-lo considerado uma das 100 melhores vozes do repertório nacional.

A canção Na Hora do Almoço, interpretada por Jorginho Telles, de autoria solo de Belchior, foi sua primeira vitória: arrematou o IV Festival Universitário de 1971.

Em 1972, ninguém menos que Elis Regina, ao lado do conterrâneo Fagner, gravaram Mucuripe, Vanusa (em grande fase) gravou Paralelas e o bom Jair Rodrigues, gravou Galos, Noites e Quintais.
O Cearense de Sobral já era um sucesso, mesmo antes de gravar seu baluarte Alucinação. No mesmo ano de 1976, Elis Regina, o então maior nome da nossa música, sempre gravando bons compositores, como Gilberto Gil e Milton Nascimento, Chico Buarque e Aldir Blanc, recebe em mãos a demo tape de Como Nossos Pais e Velha Roupa Colorida e, ao gravar o álbum O Falso Brilhante (ainda de 1976) ela escolhe a canção de Belchior (as duas) como músicas de trabalho do álbum.
Como Nossos Pais se tornou o hino maior de Elis Regina em toda sua carreira e Velha Roupa Colorida, embora menor, chega também, por muitas semanas aos topos do IBOPE, não só no Eixo Rio/São Paulo, mas no Brasil todo. A parceria entre Belchior e Elis Regina superou outras de outrora, nem Jobim, nem Gil, nem Chico...
O parceiro definitivo de Elis Regina haveria de ser ele: cearense de Sobral, filósofo e filólogo, poeta e músico, Antônio Carlos Belchior!


Cabe ainda neste artigo dizer que Belchior não era um poeta da poesia pela poesia. Pitadas de sociologia, história, regionalismo e muita filosofia sempre estiveram presentes na obra do cearense.
Em Divina Comédia Humana, na prévia do refrão, ele canta:

"...ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto
Enquanto houver espaço, corpo, tem de algum modo de dizer...
Eu canto..."
(Olavo Bilac)

Isso é incrível! A transcrição de uma estrofe parnasiana num Rock Rural? Quem diria...
...

Em 1979, volta com outro mega sucesso cheio de filosofia: Comentário a Respeito de John..., álbum Era Uma Vez um Homem e Seu Tempo.

Pena que seu fim fora controverso e sinistro. De repente, em 2009, a Rede Globo de Televisão noticia em horário nobre que Antônio Carlos Belchior haveria desaparecido. Logo após, alguns fãs sugestionaram terem o visto pelas cercanias do Uruguai. Suspeitas foram confirmadas e o cantor gravou uma breve entrevista para o Fantástico, da mesma Rede Globo. Na entrevista, o cantor revelou que não tinha desaparecido e que havia escolhido um bom refúgio no Uruguai para compor letras em espanhol para um possível disco a ser distribuído na América Latina. Porém, em 2012, desapareceu do hotel em Artigas, cidadela uruguaia e deixou para trás, além da dívida das diárias, objetos pessoais. Anos depois, encontrado ao passear pelas ruas de Porto Alegre, Belchior desmentiu o sumiço e as dívidas.

Faleceu em 30 de abril de 2017, durante o exílio gaúcho, na cidade de Santa Cruz do Sul. O Governador do Ceará, Camilo Santana, decretou luto oficial de três dias e se responsabilizou por todos traslados, funerais em Sobral e enterro em Fortaleza!

"Amar e mudar as coisas, me interessa mais"
(Belchior in Alucinação, 1976)

Por

Rodrigo Augusto Fiedler
(Rodrigão da Penha, o Professor)

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Aracy de Almeida

É dez paus!...

Aracy Teles de Almeida foi nascida no Rio de Janeiro aos 19 de agosto de 1914 e faleceu no mesmo Rio de Janeiro aos 20 de junho de 1988. Aracy de Almeida foi uma cantora, sambista e jurada de programas de calouros brasileira.


Aracy teve grande convivência com Noel Rosa e algumas das fontes pesquisadas afirmam que, mais do que um contato, ela e Rosa tiveram um longo e duradouro romance. No final da carreira, a sambista que também era musicóloga, assumiu o papel principal de jurada do Programa Show de Calouros (Record, TVS, SBT) de Silvio Santos. A expressão: é dez paus! Ficou bastante imortalizada, era a nota mínima da banca de jurados e, geralmente, servia para achincalhar de forma cômica os candidatos que não tinham chance de emplacar.

Era conhecida como Dama da Central (Central do Brasil, estação ferroviária do centro do Rio de Janeiro), pois só viajava de trem. Também conhecida como Dama do Encantado (bairro da Zona Norte carioca onde Aracy morava) ou O Samba em Pessoa!

Aracy era uma figura bastante excêntrica! Cantava samba, se interessava por música erudita, lia psicanálise e colecionava quadros raros de Aldemir Martins e Di Cavalcanti. Dizem que eram amigos íntimos. Almeida frequentava as rodas mais intelectuais do Rio, era apreciada por todos seus amigos que viam nela grande inteligência e recebeu o apelido gozado de Araca!


Noel Rosa disse, em entrevista à Revista Pátria em 4 de janeiro de 1936:
- Aracy de Almeida é, na minha opinião, a pessoa que interpreta com melhor exatidão aquilo que produzo...

Sem mais!


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Rodrigo Augusto Fiedler
(Rodrigão da Penha, o Professor)

Altemar Dutra

Sentimental...
Altemar Dutra de Oliveira nasceu em Aimorés aos 6 de outubro de 1940 e faleceu em Nova iorque aos 9 de novembro de 1983. Altemar Dutra foi um cantor, compositor e instrumentista brasileiro que alçou sucesso em todo território nacional, na América Latina e na América do Norte.

Canções como Sentimental Demais, O Trovador e O que Queres Tu de Mim, mais boa parte do repertório composto em parceria com Evaldo Gouveia e Jair Amorim levaram o mineiro de Aimorés do eixo Rio/São Paulo para o mundo.
                            

O mineiro iniciou sua carreira na Rádio Difusora de Colatina, ES, localidade para onde sua família se mudou. Seu debut aconteceu cantando clássicos de Francisco Alves. Quando maior de idade, Dutra seguiu para p Rio de Janeiro, levando uma carta de apresentação para o consagrado compositor Jair Amorim. Amorim o encaminhou para o meio artístico.

Neste ínterim, Altemar Dutra tentou a sorte - e conseguiu - apostando na carreira de Crooner na noite carioca.
         

Seu primeiro disco sai pela Tiger, um selo pequeno, mas mesmo assim, atinge bons números e, por volta de 1963, foi levado para o Programa Boleros na Noite (por Jair Amorim), na Rádio Mundial, e no mesmo ano, Joãozinho do Trio Irakitan (Boleros) o levou para a Odeon, sua primeira grande gravadora.

Atingiu os primeiros lugares das paradas e, rapidamente, tornou-se sucesso no Brasil todo.
Em 1964, gravou O Que Qures Tu de Mim, O Trovador e seu maior sucesso: Sentimental Demais. Com essa trinca de ases, destacou-se na América Latina gravando, inclusive, com Lucho Gatica.
Em espanhol, Altemar Dutra vendeu cerca de 500 mil cópias em toda América do Sul, Caribe, América Central e México. Faltava os USA.

Em 1969 conquistou fãs de origem latina nos USA. Em pouco tempo se tornou um dos cantores estrangeiros de maior sucesso. Passou a se apresentar em casas latinas de Nova Iorque e, pouco depois, aos 43 anos, ainda nos USA, Dutra, em 1983, falece de derrame cerebral. Deixou uma vasta discografia, com mais de 30 títulos.


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Rodrigo Augusto Fiedler
(Rodrigão da Penha, o Professor)

Ataulfo Alves

Amélia que era mulher de verdade...

Ataulfo Alves de Sousa nasceu em Miraí, MG, aos 2 de maio de 1909 e veio a falecer no Rio de Janeiro aos 20 de abril de 1969. Ataulfo Alves foi um compositor, cantor e sambista brasileiro, multinstrumentista, era filho de Capitão Severino que, naquela época já tocava viola, acordeão e fazia repentes na Zona da Mata.
                    

Alves, aos 8 anos, já escrevia versos. Trabalhou desde criança em serviços pesados ao mesmo tempo que ia à escola. Aos dez perdeu o pai e, com sua mãe, foi viver no centro de Miraí.
Com 18 anos fixou residência no Rio de Janeiro juntamente com seu patrão, um médico com quem trabalhava como ajudante de farmácia.

Aos dezenove já era autodidata e muito competente no violão, no cavaquinho e no bandolim. O violão de 7 cordas ele também dominava. Teve 5 filhos com sua esposa Judite.

Em 1933, Almirante gravou o samba Sexta-feira, sua primeira composição num disco de um artista influente. Dias depois, na esteira do sucesso de Almirante, Carmem Miranda grava Tempo Perdido, garantindo assim sua entrada no meio artístico pelas portas da frente. Em 1958, apareceu no filme Meus Amores no Rio.
                                                

Ataulfo Alves, compositor de respeito, atinge marcas invejáveis: 350 canções do repertório do Samba e da MPB (poucos compositores têm esta marca). Ataulfo foi gravado por intérpretes importantes, como Clara Nunes, Quarteto em Cy, MPB-4, etc...

Morreu às vésperas dos 60 anos no Rio de Janeiro em decorrência de uma úlcera. Deixou muitas parcerias, muitas delas e talvez, as mais famosas, com o Ator, Músico e Poeta, Mario Lago.


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Rodrigo Augusto Fiedler
(Rodrigão da Penha, o Professor)

Angela Maria

Babalu!

Angela Maria, nome artístico de Abelim Maria da Cunha, nasceu em Macaé aos 13 de maio de 1929 e faleceu em São Paulo aos 29 de setembro de 2018. Angela foi uma cantora, compositora e atriz brasileira, expoente máximo da Era do Rádio, considerada dona de uma das vozes mais belas e potentes de toda nossa MPB e eleita a Rainha do Rádio em 1954. Campeã e recordista na venda de discos, Angela Maria vendeu quase 70 milhões de Álbuns e Compactos. A grande crítica aponta em Angela Maria uma alcunha de muita responsabilidade: Maior Voz do Brasil.


Intérprete consagrada por clássicos como Babalu (Margarita Lecuona), Gente Humilde (Chico, Vinícius e Garoto), Cinderela (Adelino Moreira) e Orgulho (Waldir Rocha), Maria serviu como inspiração para cantoras do quilate de Elis Regina, Elizeth Cardoso, figuras como Djavan e Milton Nascimento, Cesária Évora e, claro, Gal Costa, além de ter sido, e o IBOPE comprova, a cantora mais popular do Brasil e tendo, desta forma conquistado a admiração de personalidades como Edith Piaf, GV, JK, Amália Rodrigues e Louis Armstrong.


Angela Maria foi muito amiga de um outro mito da voz e do Rádio: Cauby Peixoto. Ambos perseguiram a carreira juntos e, na terceira idade, se apresentavam em dupla, quase sempre no Bar Brahma, na fatídica esquina da Ipiranga com a São João, coração do centro de São Paulo.

Morreu de parada cardíaca no dia 29 de setembro de 2018, beirando os 90 anos. Angela deixou mais de 40 discos, 2 ao vivo, mais de 20 filmes e 2 DVD's, um ao lado de Cauby.

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Rodrigo Augusto Fiedler
(Rodrigão da Penha, o Professor)

Ary Barroso

Terra de Samba e Pandeiro...

Ary Evangelista Barroso nasceu em Ubá nas Minas Gerais aos 7 de novembro de 1903 e veio a falecer no Rio de Janeiro aos 9 de fevereiro de 1964. Ary Barroso, como passou a assinar, foi um compositor brasileiro de música popular. Ficou muito famoso por seus sambas, internacionalmente conhecido pela obra-prima Aquarela do Brasil, considerada uma expressão dos chamados "samba-exaltação".

Ary também foi indicado ao Oscar de Melhor Canção Original com a música Rio de Janeiro do filme Brasil, de 1944.
                            

Sua primeira composição veio aos 15 anos, enquanto estudava Solfejo e Piano, um "cateretê" chamado "De Longe". Foi estudante e caixeiro (vendedor varejista) durante a adolescência e, logo ao terminar os estudos do ginásio e colégio, prestou vestibular para a carreira de Direito. Passou e ingressou na faculdade em 1921, porém, dado às festas, saraus e boemia, Ary é reprovado.

O fato de ter saído da faculdade, já no Rio de Janeiro, fez com que barroso se empregasse como pianista no antigo Cinema Íris, no Largo da Carioca. Anos mais tarde levaram Ary Barroso a outra empreitada musical: empregou-se como pianista no Teatro Carlos Gomes acompanhando a Orquestra do Maestro Sebastião Cirino. Ary ainda tocou em muitas Orquestras.

Em 1926, o compositor retoma seus estudos em Direito, mas sem abandonar o piano. Em 1928 segue para temporadas em São Paulo, Santosve Poços de Caldas, isso com a Orquestra do Maestro J. Spina. Ainda em 1928, Ary resolve viver exclusivamente de música e passa a compor com avidez.
Amor de Mulato, Cachorro Quente, Oh! Nina, entre outras, em parceria com o sambista Lamartine Babo, são o debut de sua bem sucedida carreira artística. Em 1929 se forma bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais e seu colega de faculdade e já músico influente, Mário Reis, grava Vou a Penha e seu primeiro grande sucesso: Vamos Deixar de Intimidades.

Um ano mais tarde, 1930 e também por toda década, Ary Barroso vence o Grande Concurso de Música Popular e no mesmo ano, compôs seu sucesso maior, Aquarela do Brasil, gravada por Aracy Cortes e regravada diversas vezes no Brasil e no Exterior (as versões definitivas são de Francisco Alves, o Rei da Voz e de Carmem Miranda, a pequena notável).

Nos anos 40 surgem prêmios como o Diploma da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas de Hollywood pela trilha sonora de Você já foi à Bahia? (1944) de Walt Disney. A partir de 43, manteve no ar a Hora do Calouro na Rede Cruzeiro do Sul, Rede de Radiofusão do Rio de Janeiro. Foi locutor esportivo, mas não deu certo em virtude de sua paixão pelo Flamengo. Ainda nos anos 40, compôs clássicos como Na Baixa do Sapateiro, Tabuleiro da Bahiana, Quindins de Yayá e o dueto de canções, Boneca de Piche e Rio de Janeiro (1945) que lhe rendeu indicação para o Oscar.

Nos anos 50, a grande Carmem Miranda eterniza a obra de Barroso, cantando diversos de seus sucessos...
                                            

Mas nada jamais superou Aquarela do Brasil... a um mito, que durante a Tropicália (anos 60/70) muitos artistas queriam derrubar nosso Hino Nacional de Osório Duque Estrada e, colocar em seu lugar, o samba exaltação de Ary.

Morreu no Rio em 1964, em decorrência de cirrose hepática, fruto de seu alcoolismo. Está sepultado no Cemitério São João Baptista, em Botafogo, zona sul carioca.
"...Esse coqueiro que dá coco
Onde eu amarro a minha rede
Nas noites claras de luar
Ô! Estas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincar
Ô! Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil! Brasil!!!..."
(Excerto de Aquarela do Brasil, Ary Barroso)
Por
Rodrigo Augusto Fiedler
(Rodrigão da Penha, o Professor)

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Angela Ro Ro

Amor meu grande amor...

Angela Maria Diniz Gonsalves, mais conhecida como Angela Ro Ro nasceu no Rio de Janeiro aos 5 de dezembro de 1949. É uma cantora, compositora e pianista brasileira. Ro Ro foi considerada pela Revista Rolling Stone, a 33a maior voz da MPB. O apelido carinhoso de Ro Ro foi dado na infância, por meninos de seu bairro, devido, claro, à sua voz rouca.

Compositora competente, foi gravada à exaustão por Baluartes de nossa Música como Bethânia, Ney Matogrosso e Marina Lima. Roberto Frejat e o Barão Vermelho fizeram a regravação mais bem sucedida: o sucesso Amor meu Grande Amor!
                                           

Nos anos 70, foi para a Itália com uma passagem só de ida - nunca se soube se o caso era falta de dinheiro, ou se estavam, digo, a família, tentando se livrar dela. A temporada na Europa foi uma festa: conheceu Glauber Rocha (Terra em Transe, Deus e o Diabo...) na Itália, em Londres foi faxineira, garçonete e atendente de restaurantes, lavou pratos e, paralelo a isso tudo, já compunha (em inglês e em português) e se apresentada com frequência em Pubs. No fim das contas virou Hippie e andava por parques diversos consumindo cannabis e bebendo bastante.
                                        

Voltou ao Rio e rapidamente passou a se apresentar em bares noturnos de Ipanema. Logo em seguida assinou com a Polygram e gravou seu primeiro disco, lançado em 1979. O disco era todo autoral e seu título era homônimo ao seu nome. Este disco, além de raro, é uma das pérolas da MPB. Amor meu Grande Amor e Gota de Sangue, dois dos seus maiores sucessos são justamente de, Angela Ro Ro, de 1979.

No disco seguinte, trouxe uma versão visceral para Bárbara de Chico Buarque e Ruy Guerra. Presente na peça Calabar da mesma dupla, Angela cantava Meu Mal é a Birita, fazendo apologia ao alcoolismo precoce que a acometia.

Em 81 veio Escândalo e o Álbum fazia, em sua capa, alusão às baixarias que a imprensa marrom fazia em torno do seu namoro com a jovem cantora Zizi Possi.

Daí pra frente, dona de um temperamento forte e etílico, Ro Ro causou inúmeros escândalos, o mais famoso, com a repórter e jornalista Cidinha Campos.

Almir Chediak, um dos maiores produtores brasileiros deu uma chance à Angela Ro Ro nos anos 90 e produziu 2 Álbuns: Prova de Amor e um disco Ao Vivo. O mesmo Chediak, responsável pela produção dos Álbuns de Partituras Songbooks, incluiu Angela no projeto.

Em meados dos anos 90 para os anos 2000, Angela vai para diversas clínicas de reabilitação, consegue largar as drogas, o álcool e, inclusive o cigarro.

Limpa, em 2010, assina com o selo Biscoito Fino que retoma a carreira da eficiente cantora e acena, de antemão, um final bem feliz para esta história.


Por


Rodrigo Augusto Fiedler
(Rodrigão da Penha, o Professor)

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Almir Sater

Tocando em frente...
Almir Eduardo Melke Sater nasceu em Campo Grande, MS em 14 de novembro de 1956. O músico usa, como nome artístico, apenas Almir Sater. Sater é um cantor, compositor, multinstrumentista e empresário brasileiro. Muito conhecido pela sua vocação com as cordas, ele também recebe a alcunha de "o Violeiro".

Almir Sater gravou seu primeiro disco solo e (quase que) todo instrumental em 1981, o Estradeiro, ainda pela extinta Continental Records. Graças ao bom sucesso do Álbum, Sater participou de diversos shows e festivais de música, programas de TV como Viola Minha Viola e Senhor Brasil, ambos na TV Cultura lhe eram bem familiares, mas foi nos anos 90, ao aceitar participar de novelas do Horário Nobre, representando o "personagem violeiro" que, finalmente, Almir Sater veio a se confraternizar com o grande público e sair, de vez, das fronteiras do Centro Oeste brasileiro.

Sater participou de 4 novelas: Pantanal, A História de Ana Raio e Ze Trovão (protagonista, inclusive ) na extinta e saudosa Rede Manchete e O Rei do Gado e Bicho do Mato, esta única, já nos anos 2000, na Rede Globo de Televisão. Em todos os papeis, embora não seja um ator profissional, Almir Sater atingiu muito sucesso e muita afeição por parte dos telespectadores. Antes das novelas, nos anos 80, Sater já havia experimentado as telas com boas participações no cinema. É, de fato, um artista completo que merece, e muito, o nosso respeito!

No campo das ciências, Sater também nos presenteou com sua expertise: guiou uma comitiva de biólogos, a Comitiva Esperança, para estudos de preservação do Pantanal.

Como não podia ser diferente, Almir e sua obra, além de terem sido bastante popularizados, alçou bons voos e ganhou muitos prêmios. Só o Prêmio Sharp de Música Popular Brasileira, foram 4.
Seu sucesso é nosso patrimônio e pode-se dizer que, se há um verdadeiro brasileiro representante da nossa música de raiz, este nome é Almir Sater.

Com sua chegada ao eixo Rio/São Paulo, os contatos e parcerias ficaram mais fáceis. Desta forma, Almir se aproximou do legendário Renato Teixeira (Romaria, por exemplo) e com ele formou uma espécie de dupla. Cantam e tocam juntos, aparecem juntos em público e o maior e mais belo feito de ambos a 4 mãos foi a canção Tocando em frente...

Uma das músicas mais bonitas do repertório regional brasileiro.
...
"... Todo mundo ama um dia
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no outro vai embora...
(...)
É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz para poder sorrir
É preciso chuva, para florir...
(...)
Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais..."
Lindo!

Por


Rodrigo Augusto Fiedler
(Rodrigão da Penha, o Professor)

domingo, 11 de outubro de 2020

Adriana Calcanhoto

Esquadros

Adriana da Cunha Calcanhoto foi nascida em Porto Alegre aos 3 de outubro de 1965. Adriana Calcanhoto é uma cantora, compositora, intérprete, instrumentista, produtora musical, arranjadora, escritora e ilustradora brasileira, ou seja, uma verdadeira artista multimídia. Além disso tudo, Adriana ainda atua como professora e embaixadora da Universidade de Coimbra, principal Academia portuguesa.

Sua trajetória iniciou-se ainda nos anos 80, com apresentações em bares e casas noturnas de sua cidade natal. Seu sucesso no circuíto vanguardista a levou para o Rio de Janeiro onde foi convidada a dar o que chamamos de "palinha"...


Seu primeiro disco, ainda sem penetração no mercado fonográfico, é Enguiço de 1990. Por outro lado, o repertório de qualidade lhe rendeu o primeiro Prêmio Sharp (revelação feminina). O segundo álbum, Senhas, de 1992 foi totalmente concebido e conduzido por Adriana. O mega hit Esquadros, embora tenha estourado dez anos depois, é faixa de Senhas, de 92. Outra canção que tardou a explodir, mas quando veio à tona fez um sucesso incrível foi Metade. Fábrica do Poema, de 94 chegou a ser considerado e aclamado como Disco do Ano. Letras próprias e poemas de Wally Salomão e Arnaldo Antunes eram a espinha dorsal do álbum.

Marítmo, de 98 é o primeiro título de sua discografia referente ao mar. O mesmo acontece em Maré de 2008, Olhos de Onda de 2014 e Margem, de 2019, disco bastante recente.

Regravações de Cazuza, parcerias com os Caymmi, entre outras aventuras faz do trabalho de Calcanhoto algo muito sério e muito bem avaliado. O álbum Público, de 2000, deu origem a DVD e tem pegada tropicalista com participações de Caetano Veloso no auge de sua verborragia.
2004 é o ano de Partimpim, projeto infanto juvenil que amealhou todos os prêmios possíveis e rotulou a cantora com o heterônimo homônimo ao nome do disco.


Os demais discos também foram premiados e Adriana, praticamente desde os anos 90, não deixa de colecionar títulos, troféus e prêmios.

Nos anos 2010, Adriana Calcanhoto embarca numa vibe já com feliz resultado com Maria Bethânia e traz poesias para seus shows.

O ritmo das apresentações é bastante frenético e só para agora, em 2020, por conta da Pandemia!

Artista completa!

Por

Rodrigo Augusto Fiedler
(Rodrigão da Penha, o Professor)

Ana Carolina

Garganta!

Ana Carolina Souza é nascida em Juiz de Fora aos 9 de setembro de 1974. É uma cantora, compositora, empresária, produtora e multinstrumentista brasileira. Conquistou 8 vezes o Prêmio Multishow de Música Brasileira e 3 vezes o Troféu Imprensa. Por uma vez foi laureada com o Prêmio Tim de Música. Seu álbum de estréia foi lançado em 1999, vendendo 5 milhões de discos em toda carreira, consagrando-se como uma das cantoras de maior sucesso comercial nos anos 2000.


Np primeiro álbum, Carolina lançou p single Garganta, marco na carreira. Com sucessivos álbuns lançados, Ana amealhou um repertório de muito sucesso, dentre as quais, sem dúvidas, Quem de Nós Dois e Encostar na Tua... Em novembro de 2005, ao lado do versátil Seu Jorge, gravaram um disco de duetos nominado Ana & Jorge: Ao Vivo. Desse álbum, canções como Pra Rua Me Levar e o grande sucesso É Isso Aí (The Blowers Daughter) atingiram marcas estratosféricas. O côver de Zé do Caroço de Lecy Brandão também fez relativo sucesso.

Em 2009, com 10 anos de carreira, lançando p álbum N9ve, no qual destacam-se canções como Entreolhares (The Way You're Looking at Me) - dueto com o bom John Legend, multinstrumentista estadunidense. Esta música alçou o topo da Billboard carioca e o 34o na Billboard Hot 100. No mesmo ano apresentou a coletânea Ana Car9lina + 1, com duas inéditas e participações de vários cantores, entre eles, Gadú, Bethânia, Robertinha Sá, Totonho Villeroy, entre outros.

Ainda neste ano uma turné mundial do álbum e em 2015 lançamento de DVD. Em 2016 retoma-se a parceria com Seu Jorge e a música Mais Uma Vez (nós dois) faz algum sucesso. A turné com Jorge vai para a estrada e os shows continuam, não agora com Pandemia, sendo agendados ao longo de todo Brasil.

Ana Carolina tem uma particularidade pessoal que é a militância no homossexualismo feminino, mas ela prefere a discrição e, diferente de outras artistas gays, não empunha o standart LGBT+...
Ela prefere que a garganta arranhe! E eu respeito!


Por


Rodrigo Augusto Fiedler
(Rodrigão da Penha, o Professor)

Adoniran Barbosa

O amigo do "Arnesto"

Adoniran Barbosa, nome artístico de João Rubinato que nasceu em Campinas aos 6 de agosto de 1910 e nos deixou em São Paulo aos 23 de novembro de 1982 foi um compositor, cantor, humorista e ator brasileiro.

Na verdade, Rubinato representava em programas de rádio diversas personagens, entre elas as quais, Adoniran Barbosa, que acabou por se confundir com seu criador dada a sua enorme popularidade. Adoniran ficou conhecido nacionalmente como pai do samba paulista.

Adoniran era filho de imigrantes italianos da localidade de Cavarzere, província de Veneza. Seus pais desembarcaram em Santos em setembro de 1895. Passaram pela Hospedaria dos Imigrantes e foram trabalhar nas lavouras do município de Tietê.

Adoniran abandonou a escola cedo, não gostava de estudar. Ao mesmo passo, necessitava ajudar a família trabalhando - eles eram 7 irmãos. Passaram por Valinhos, Campinas, Jundiaí, Santo André e por fim, São Paulo.


Tenta carreira de ator nos palcos, mas é rejeitado. Sem apadrinhamento e sem instruções adequadas, nada dá certo. Apela para o Samba, que o leva ao Rádio. A vida profissional de Adoniran, acontece nas Rádios por meio de interpretações de outros compositores. Sua obra, já em desenvolvimento, vai ficando nas gavetas. Por meio de programas de calouros, boa voz e carisma, Barbosa consegue interpretar Ismael Silva e Nilton Bastos e é gongado, mas insiste, volta novamente cantando Noel Rosa, Filosofia, que lhe abre as portas das Rádios e, ao mesmo tempo, lhe serve como mote das composições próprias futuras.

Anos depois, seu primeiro sucesso como compositor é Trem das Onze e ele a entrefa aos Demônios da Garoa, grupo já estabilizado para a possibilidade de uma gravação. Isso em meados dos Anos 50. É seu primeiro sucesso e o nascimento do casamento cultural entre Barbosa e os Demônios.
Daí, dezenas de sucessos, permeando os anos 60 e 70. Mariposas, Saudosa Maloca, Arnesto, Tiro ao Alvaro...

Curiosidade: na verdade, a letra de Saudosa Maloca é muito triste e, analisando esta tristeza, em 1972, Elis Regina regrava o sucesso em tom de Jazz e se emociona na interpretação! A alegria de Barbosa era triste! E foi Elis Regina quem mostrou isso para o Brasil.

Adoniran também trabalhou como ator na velha Vera Cruz, acompanhou Oscarito e Mazzaropi, fez muito sucesso e deixou um legado que músico algum daqui da Capital já houvera deixado!
Morreu de Enfisema Pulmonar (fumava desesperadamente) no Hospital São Luís da Avenida Santo Amaro. Foi sepultado no Cemitério da Paz em 23 de novembro de 82, mesmo ano de Elis.

Deixou 12 Álbuns com sambas diversos, gravou com nomes importantes da MPB, como Elis e Emílio Santiago, deixou vasta filmografia e eternizou o bairro do Bexiga.

E nunca deixou de ir nos sambas do Arnesto!

Por

Rodrigo Augusto Fiedler
(Rodrigão da Penha, o Professor)