quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Ary Barroso

Terra de Samba e Pandeiro...

Ary Evangelista Barroso nasceu em Ubá nas Minas Gerais aos 7 de novembro de 1903 e veio a falecer no Rio de Janeiro aos 9 de fevereiro de 1964. Ary Barroso, como passou a assinar, foi um compositor brasileiro de música popular. Ficou muito famoso por seus sambas, internacionalmente conhecido pela obra-prima Aquarela do Brasil, considerada uma expressão dos chamados "samba-exaltação".

Ary também foi indicado ao Oscar de Melhor Canção Original com a música Rio de Janeiro do filme Brasil, de 1944.
                            

Sua primeira composição veio aos 15 anos, enquanto estudava Solfejo e Piano, um "cateretê" chamado "De Longe". Foi estudante e caixeiro (vendedor varejista) durante a adolescência e, logo ao terminar os estudos do ginásio e colégio, prestou vestibular para a carreira de Direito. Passou e ingressou na faculdade em 1921, porém, dado às festas, saraus e boemia, Ary é reprovado.

O fato de ter saído da faculdade, já no Rio de Janeiro, fez com que barroso se empregasse como pianista no antigo Cinema Íris, no Largo da Carioca. Anos mais tarde levaram Ary Barroso a outra empreitada musical: empregou-se como pianista no Teatro Carlos Gomes acompanhando a Orquestra do Maestro Sebastião Cirino. Ary ainda tocou em muitas Orquestras.

Em 1926, o compositor retoma seus estudos em Direito, mas sem abandonar o piano. Em 1928 segue para temporadas em São Paulo, Santosve Poços de Caldas, isso com a Orquestra do Maestro J. Spina. Ainda em 1928, Ary resolve viver exclusivamente de música e passa a compor com avidez.
Amor de Mulato, Cachorro Quente, Oh! Nina, entre outras, em parceria com o sambista Lamartine Babo, são o debut de sua bem sucedida carreira artística. Em 1929 se forma bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais e seu colega de faculdade e já músico influente, Mário Reis, grava Vou a Penha e seu primeiro grande sucesso: Vamos Deixar de Intimidades.

Um ano mais tarde, 1930 e também por toda década, Ary Barroso vence o Grande Concurso de Música Popular e no mesmo ano, compôs seu sucesso maior, Aquarela do Brasil, gravada por Aracy Cortes e regravada diversas vezes no Brasil e no Exterior (as versões definitivas são de Francisco Alves, o Rei da Voz e de Carmem Miranda, a pequena notável).

Nos anos 40 surgem prêmios como o Diploma da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas de Hollywood pela trilha sonora de Você já foi à Bahia? (1944) de Walt Disney. A partir de 43, manteve no ar a Hora do Calouro na Rede Cruzeiro do Sul, Rede de Radiofusão do Rio de Janeiro. Foi locutor esportivo, mas não deu certo em virtude de sua paixão pelo Flamengo. Ainda nos anos 40, compôs clássicos como Na Baixa do Sapateiro, Tabuleiro da Bahiana, Quindins de Yayá e o dueto de canções, Boneca de Piche e Rio de Janeiro (1945) que lhe rendeu indicação para o Oscar.

Nos anos 50, a grande Carmem Miranda eterniza a obra de Barroso, cantando diversos de seus sucessos...
                                            

Mas nada jamais superou Aquarela do Brasil... a um mito, que durante a Tropicália (anos 60/70) muitos artistas queriam derrubar nosso Hino Nacional de Osório Duque Estrada e, colocar em seu lugar, o samba exaltação de Ary.

Morreu no Rio em 1964, em decorrência de cirrose hepática, fruto de seu alcoolismo. Está sepultado no Cemitério São João Baptista, em Botafogo, zona sul carioca.
"...Esse coqueiro que dá coco
Onde eu amarro a minha rede
Nas noites claras de luar
Ô! Estas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincar
Ô! Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil! Brasil!!!..."
(Excerto de Aquarela do Brasil, Ary Barroso)
Por
Rodrigo Augusto Fiedler
(Rodrigão da Penha, o Professor)

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