quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Bob Marley & The Wailers

Get up, stand up...

Robert Nesta Marley nasceu em Nine Mile, Saint Ann, Ilha da Jamaica aos 6 de fevereiro de 1945 e veio a falecer em Miami, Flórida, USA em 11 de maio de 1981. Bob Marley foi um cantor, guitarrista, arranjador, ativista, religioso e compositor jamaicano. O mais conhecido nome do Universo Reggae de todos os tempos. Marley ficou famoso por popularizar o gênero e seu sucesso, vertiginoso, fez com que ele vendesse quase 100 milhões de discos em torno do mundo.

Diferente do que se pode pensar, Bob Marley não é apologia à maconha e a um modo libertino de se viver. Bob Marley é um menestrel da paz, da irmandade, da igualdade social, da resistência e independência de países assolados pelo colonialismo, preservação ambiental, liberdade e AMOR UNIVERSAL ao mundo. Bob Marley é o grito, é a voz negra do Terceiro Mundo.



Importante lembrar que o aspecto libertário da obra de Marley, transcende os problemas sociais da Jamaica e se refletem em todo Continente Africano, terra em que, segundo a crença Rastafari, viveu o Leão da Tribo de Judá.

Essa representação do rastafarianismo se remete ao Imperador Etíope Hailé Selassié I - The First, o Rastafari... embora seja controverso e um tanto estranho acreditar que um ditador sanguinário era um libertador, cabe a eles manter ou dissipar esta crença. Em tempo: Bob Marley foi maior que Selassié. Em 1978 para 1979, através de um ativismo político bastante vigoroso, Bob Marley é convidado para comandar os gritos de liberdade do Zimbábue e, em função disso, grava Survival, seu antepenúltimo disco, que contém o Hit Zimbabwe, canção que mobilizou o povo e as autoridades, tornando aquele país livre. Bob Marley é considerado o Mártir da Independência do Zimbábue e a sua música, o hino. Por estas e outras que considera-se muito rasa a possível acepção apológica de Marley com o uso de drogas (ganja, sinsemila, maconha). No culto Rastafari, assim como em outras expressões religiosas, a fumaça gerada pelos "baseados" liga o homem a Deus e, o efeito, amansa os espíritos, privando-os de violência, rudeza, grosserias... crê-se que o consumo da ganja aproxima o homem de Deus. É só isso!

A Torá, ou o Pentateuco, Tomos religiosos atribuídos a Moisés, trazem no seu livro de Levítico algumas regras que o povo de Israel deveria seguir para atingir a salvação. Regras bastante radicais quanto aos diversos hábitos do dia a dia. Uma destas passagens, fala do homem Nazireu, aquele que não pode ter seus pelos, barbas e cabelos cortados para que, desta forma, sejam separados e santificados. Há uma possibilidade da crença Rastafari se bastar destes ensinamentos para manter os cabelos longos (dreadlocks) e as barbas sempre bastante grandes. Outra abordagem para este hábito Rastafari é que os cabelos em formas de dreads e barbas longas seriam um elo de ligação com a mãe África. Bob Marley foi, além de tudo já dito, uma espécie de "levita" Rastafari. A presença da religiosidade em suas músicas, desde os primórdios, é muito comum.


Quanto à carreira, Marley iniciou sua jornada com os Wailing Wailers que já contava com Peter Tosh e com Bunny Wailer. O trio, acompanhado dos irmãos Barret gravaram Simmer Down, primeiro single de sucesso do jamaicano. Isso, em 1966 aproximadamente.

Mas foi em 1972 que Marley e sua trupe foram contratados por uma gravadora grande: a Island Britânica. Sob o alicerce da Island e direcionados ao selo Tuff Gong, começa a discografia dita oficial de Bob Marley!
Catch a Fire, Burnin', Natty Dread, Rastaman Vibration e Exudus (gravado em Londres após o atentado de 1976), Kaya, Survival, Uprising e o póstumo Confrontation.
Bob Marley recebeu prêmios importantes em sua carreira, durante a carreira e póstumos. Na verdade, é como se ele jamais tivesse morrido. Sua obra é cada vez mais pertinente e importante.

São eles:
- 1976 - Banda do Ano, Rolling Stone
- 1978 - Medalha da Paz do Terceiro Mundo pela ONU
- 1999 - Artista do Século, Revista Time, por Exodus
- 2001 - Estrela na Calçada da Fama em Hollywood
- 2001 - Grammy póstumo pelo Conjunto da Obra
- 2004 - A Revista Rolling Stones o classificou como 11° Maior Artista de Todos os Tempos
- 2004 - A canção One Love é consagrada como Canção do Milênio pela BBC de Londres
- 2009 - Votado como o maior letrista de todos os tempos pela mesma BBC.
Mas nem tudo foram flores...
Marley por conta de seu viés político e libertador, foi vítima de atentados a tiros, em 1976, por conta de embates eleitorais.
(Para este episódio, Marley compôs Ambush in the Night no álbum Survival)
E não foi a primeira vez! No início dos anos 70, outra emboscada a tiros fez com que Marley gravasse I Shot the Sheriff...


Marley, em meados de 77 ou 78 fez uma ferida no dedão do pé numa partida de futebol. Esta ferida se transformou num cancro (melanoma) e em pouco tempo, antes ainda de 1979, já havia se transformado numa metástase. Interessante citar que foi sugerido que Marley amputasse o dedo, mas as regras ortodoxas do rastafarianismo não permitiam que se tocasse no corpo. Assim, o que era um cancro, tornou-se um melanoma, de melanoma para câncer e de câncer, metástase.
Marley tentou tratamento alternativo com Dr Joseff Issels, em Berlim, por algum tempo houveram melhoras, Marley retomou até a turné americana, no Madison Square Garden e em Pittsburg, mas durante este último show (1980), o menestrel passou mal e seguiu para a internação em Miami, onde morreu em 11 de Maio de 1981.

"I Know Jah never let's Down..."

Por

Rodrigo Augusto Fiedler
(Rodrigão da Penha, o Professor)

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