quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Arnaldo Baptista

 Lóki!

Arnaldo Dias Baptista, 6 de julho de 1948, São Paulo, SP é um dos maiores gênios, senão o maior das experiências da Música Popular Brasileira com o Rock.
Sua carreira foi precoce e em 1962, com apenas 14 anos, Baptista já tinha sua banda de rock ao lado de seu irmão mais velho, o Cláudio César. Em 1966, já com 18 anos e um pouco de estrada, ele chama seu outro irmão, o virtuoso guitarrista Sérgio Dias para se juntar a um novo grupo: Six Sided Rockers. Nesta segunda experiência, já havia a presença de Dinho e Rita Lee - pronto - estava formado os Mutantes. Cabe dizer que em diversas viagens aos USA e Reino Unido, Arnaldo trouxe uma gama interessante de instrumentos e aplificadores. Sim, os Mutantes iam, porque iam escrever um longo capítulo da história do Rock Nacional.
Os discos dos Mutantes passaram a ser produzidos e gravados concomitantemente ao movimento de Rogério Duprat e sua Tropicália. Inclusive, os Mutantes, ao lado de Gil, Caetano, Tom Zé, ora ou outra a Gal, entre nomes menores deram vida ao movimento! Uma das principais canções de Mutantes 1, de 68 é Panis at Circenses, da parceria Caetano e Gil.
Arnaldo, líder dos Mutantes, conduziu tudo isso com maestria.
Ainda no boom dos Mutantes, entre o fim dos anos 60 e início dos anos 70 (em 1971 gravaram Jardim Elétrico, o melhor disco da História do Rock Nacional), Arnaldo se casa com Rita Lee numa cerimônia bastante alternativa. Entretanto, já nesta época a saúde mental de Arnaldo foi se danificando, pelo uso contínuo de LSD e por fatores pré-existentes. Arnaldo Dias Baptista teve em torno de 5 internações psiquiátricas graves na primeira metade dos anos 70, com isso o casamento acabou e a liderança dos Mutantes passou para Sérgio, que apostou em Rock Progressivo.
Baptista foi convidado a fazer parte do projeto, mas queria mesmo é Rock'n Roll. Nisso, em 77, fundou a Patrulha do Espaço, banda de rock alternativo que durou apenas um ano.



Depois de quase 20 anos se tratando de uma possível esquizofrenia no interior das Minas Gerais e ter sido acolhido por muita gente bacana como o guitarrista John do Pato Fu e por Samuel Rosa do Skank e um Nando Reis já em carreira solo, Arnaldo reage e, junto de seu irmão Sérgio, em 2006, decide retomar os Mutantes dos anos 60. Rita Lee não concordou em participar do projeto e a dupla de irmãos da Vila Madalena resolveu escalar Zélia Duncam para o feito.
Venderam uma boa quantidade de discos, o DVD atingiu ouro e platina e para selar o sucesso, fizeram um mega espetáculo na Praça da Independência nas cercanias do Museu do Ipiranga para comemorar, gratuitamente, o aniversário de São Paulo em 25 de janeiro de 2007 (eu estava lá).
Depois disso, para manter a mente produtiva e se afastar definitivamente dos surtos psicóticos, Baptista seguiu o caminho de Artista Plástico. No mundo da música, para ele tão difícil, sobrou a possibilidade de produzir uma hiper homenagem aos Mutantes. A coletânea: El Justiciero Cha Cha Cha...
Arnaldo produziu e ilustrou a capa.
Ele não é Syd Barret, mas eu diria:
Shine on...
Por
Rodrigo Augusto Fiedler
(Rodrigão da Penha, o Professor)

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