quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Alceu Valença

 A Anunciação

Ao 1° de julho de 1946, nasce em São Bento do Una, PE, um advogado (meu Deus), cantor, instrumentista e, além de tudo brasileiro, Alceu Paiva Valença, que veio, em 1972, ao lado de seu amigo, também cantor, Geraldo Azevedo, ser nacionalmente conhecido como Alceu Valença. Valença nasceu no agreste pernambucano e, influenciado pelos Maracatus, cocos e Repentes de Viola Caipira conseguiu dar início à sua carreira, utilizando-se já de instrumentos eléctricos, como o baixo e a guitarra, mais tarde o sintetizador.
Alceu chega ao Sudeste, mais precisamente ao Rio de Janeiro por um motivo bastante simples: uma vez formado em Direito, o jovem Valença se emprega como correspondente do Jornal do Brasil em PE.



Bastante influenciado por suas raízes nordestinas, pelo amigo já músico, Geraldo Azevedo, e tudo isso somado a ícones da era do Rádio (Orlando Silva e Dalva de Oliveira), até, inclusive, dos grandes nomes do R&B (Ray Charles, por exemplo) e também da galera embrionária do Rock&Roll, como Little Richard e Chuck Berry, Alceu Valença criou um estilo único e muito singular.
Sua carreira musical se inicia em 1971, com festivais diversos na Tupi de Chateaubriand, mas ele nunca venceu e nunca teve suas músicas classificadas. Foi só em 1980 com o LP "Coração Bobo", cuja música homônima fez e ainda faz um estrondoso sucesso que Valença passa a ser respeitado como um músico de respeito passando a se apresentar em diversos estados brasileiros.
Ainda nos anos 80, Alceu Valença compôs o hino Anunciação, música esta que tem em seu dorso, um apelo muito emotivo e, para muitos, espiritual. Chegou a ser usada como um dos hinos da Campanha da Fraternidade brasileira. Alceu e Dom Helder Câmara (Teologia da Libertação) fizeram boa amizade com este episódio.
Em 1996, a gravadora BMG, uma das grandes do Brasil, promoveu um espetáculo que seria O Grande Encontro. Alceu, Geraldo Azevedo e Elba Ramalho, com um set list próprio de cada artista mais côveres de artistas nordestinos como Gonzagão e, principalmente, Zé Ramalho. O sucesso da turnê foi tão vertiginoso que foram mais de 2 anos de estrada e algo próximo a 4 milhões de CD's vendidos, fora os DVD's.
O início dos anos 2000 trazem para Alceu o reconhecimento de sua obra definitivamente, tendo sido agraciado pelo Premio Tim de Música, gravação de DVD promocional e em 2014, finalmente, a indicação para o Grammy de Música Popular Regional.
Em 2015 ganha o 26° Prêmio da Música Popular Brasileira e, infelizmente, nos deixa bastante preocupados com suas caminhadas no bairro do Leblon, distrito do Rio de Janeiro, aos 73 anos, uma vez que Alceu é Grupo de Risco para a COVID 19.
Seu grande e maior sucesso foi o forró Morena Tropicana, que fez dele um astro imortal.
Por
Rodrigo Augusto Fiedler
(Rodrigão da Penha, o Professor)

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