segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Arch Enemy

 ARCH ENEMY

(por Caio Braga)

Falar do Arch Enemy é como falar quase que 90% de um inglês criado na Suécia chamado Michael Amott.

Além de reconhecido como um dos maiores guitarristas do metal extremo (e do metal em geral), o cara é o que se pode se chamar de lenda-viva, pois quem acompanha a cena dos estilos mais malditos da música (em especial o grindcore e o death-metal) sabe da importância dos seus riffs e solos em verdadeiros hinos destes.

Depois de sair do Carnage (um dos pilares do death-metal sueco junto com o Entombed e o Nihilist), com quem gravou o seminal Dark Recollections, ele se juntou aos ingleses do Carcass, outra banda que fez história (e que deixo pra uma resenha individual em breve), lançando dois álbuns (Necroticism Descanting the Insalubrious e Heartwork) onde já era nítida sua técnica absurda, que transcendia os limites do death-metal puro e simples que se fazia muito na época.

E foi ao cair fora do grupo britânico que ele se juntou ao irmão Cristopher (também guitarrista e vindo do grupo Armageddon), ao vocalista e baixista Johan Liiva e ao batera Daniel Erlandsson pra formarem o Arch Enemy, que tinha como objetivo juntar o gosto e o background de todos os músicos pelo metal extremo com a sonoridade do metal tradicional e até do progressivo.

Em suma: brutalidade com melodia.


O primeiro álbum, Black Earth, veio em 1996 e os levou a uma bem-sucedida turnê européia e à assinar com a gravadora Century Média, uma das maiores dentro da música pesada.

Algumas mudanças de formação não impediram a ascensão da banda, e em 98 lançaram o espetacular Stigmata, que foi o início da consolidação da banda tanto junto ao público (principalmente o japonês, o maior deles) quanto junto à crítica, assim como entre a própria banda no que tange à  almejada sonoridade mesclada de peso e técnica. 

E aí mais uma troca de cadeiras, agora trazendo o experiente baixista Sharlee Dangelo, que acabou se tornando até hoje um dos membros principais.

Com a formação estabilizada soltam o aclamado Burning Bridges, considerado por muitos seu melhor álbum (não me incluo nessa, mas tudo bem, ele é maravilhoso mesmo assim), que proporciona a eles uma turnê pelo Tio Sam ao lado do Nevermore e também sua primeira passagem pela América do Sul.

Porém Johan Liiva se cansou da estrada e caiu fora, dando a chance de uma loira alemã carismática e com um vocal poderoso (e mais versátil) virar a frontwoman do grupo. 

Após entrevistar o chefão Amott pra um website alemão, ela, quando soube da saída de Liiva, mandou uma fita de uma apresentação sua sem maiores pretensões e o resto é história. 

Começava a “Era Ângela Gossow" no Arch Enemy.

Chutando a porta veio Wages of Sin em 2001, com uma plena aceitação da vocalista e a subsequente  consolidação mundial da banda, o momento em que viraram a chavinha de “revelação” pra headliners e integrantes do primeiro escalão do metal.

Seguiram-se Anthens of Rebbelion em 2003, Doomsday Machine em 2005, Rise of the Tyrant em 2007 e o último com ela, Khaos Legions, em 2011. Fora alguns eps, álbuns e dvds ao vivo e um ótimo álbum de regravações de músicas da era Johan Liiva, Root of All Evil.

Em 2014, de comum acordo e de uma forma absolutamente tranquila e elegante, Ângela deixou o microfone pra cuidar do gerenciamento e empresariado da banda, posto que ocupa desde então. 

Inclusive conta-se que foi ela que indicou Alissa White Glutz, na época vocalista do grupo de metalcore The Agonist, pra ocupar seu posto.

Decisão acertadíssima, algo evidente nos  monstruosos álbuns com ela até o momento: War  Eternal de 2014, Will to Power de 2017 e o de covers Covered in Blood de 2019.

A moça das mechas azuis provou não só estar à altura da antecessora como deixou sua marca, inclusive introduzindo inéditos (e ótimos) vocais limpos no último álbum.

Mais uma vez o Arch Enemy se reinventou e se manteve no topo da sua seara.

E que venha o próximo logo, e vários outros!


Algumas curiosidades:

- Michael Amott foi votado como um dos 100 melhores guitarristas de metal de todos os tempos e como guitarrista do ano pela revista Burn! três vezes.

- Ele também tem outra banda, o Spiritual Beggars, que começou em 1994, de stoner/classic rock e que já lançou nove álbuns.

- Em 2017 toda a formação original do Arch Enemy se reuniu pra alguns shows comemorativos e disso saiu um álbum ao vivo no mesmo ano e um de estúdio com regravações e duas músicas inéditas. 

ÁLBUNS IMPERDÍVEIS :

Stigmata

Wages of Sin 

Will to Power

Nenhum comentário:

Postar um comentário